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Década de 1950 do séc. XX

Fundação e início da construção do Museu de Santa Maria de Lamas (MSML), promovida e financiada, em exclusivo, por Henrique Alves de Amorim (1902-1977).

Finais dos anos 1930, década de 1940 e período de 1950 a 1953

Período de maior pesquisa, recolha e aquisição por parte de Henrique Amorim, dos elementos da vasta e valiosa Coleção de Arte Sacra Portuguesa do Museu - um dos seus segmentos expositivos mais amplos, distintos e valiosos, dividido em subcoleções que se distribuem por diversas áreas, linguagens, cronologias, períodos criativos e cultuais da História da Arte e da Religião. Na sua globalidade, a Talha dourada, a Imaginária, a Pintura, as Estampas (com “Água-forte”, Xilogravura e/ou Litografia de Iconografia religiosa); os Missais, os Ex-votos, a Paramentaria, as Alfaias e os Objetos de uso Litúrgico que integram esta Coleção, foram adquiridos, na sua maioria, em território lusitano. Diretamente em espaços religiosos intervencionados / extintos / expropriados de bens artísticos; hastas públicas; “Residências, Igrejas / Capelas particulares” ou Antiquários. Sobretudo a norte, no Porto, Póvoa de Varzim, Viana do Castelo, Braga, Viseu ou Vila Nova de Famalicão.

1953 ou 1957 a 1959

Momento cronológico que marca o início e o fim dos trabalhos construtivos da primeira configuração expositiva e estrutural do edifício do MSML (à época, restrito apenas às primeiras quatro a cinco salas do piso superior e à “Sala da Capela de Delães” do Museu atual – englobando a própria zona de “Entrada / Receção” deste edifício). Um complexo arquitetónico que, desde os primórdios da sua existência, caracteriza-se pela proximidade do seu traçado, estética e envolvência exterior aos princípios “conservadores” da arquitetura pública da época, regrada pela ideologia nacionalista do Estado Novo. Assente na trilogia de valores: “Deus, Pátria e Família” - pela qual Henrique Amorim nutria uma devoção acérrima, profundamente pessoalizada.

1959

Em 5 de março, numa atitude reflexiva do seu perfil filantrópico e de apreço pelo desenvolvimento cultural de Santa Maria de Lamas e da sua população, o Fundador do MSML procedeu à doação deste espaço museológico e respetivo acervo histórico, artístico, científico, etnográfico e industrial para a Casa do Povo de Santa Maria de Lamas. Uma entidade que, desde esse dia até à contemporaneidade, se preserva como tutela deste Museu sui generis. Tal como referido anteriormente, no momento cronológico supra indicado e intitulado “1953 a 1959”, em virtude do término da sua primeira fase construtiva, nesta doação patrimonial, em termos de arquitetura e acervo exposto, o MSML possuía apenas “o pavilhão onde existia a Casa de Numismática, a Capela alta, a Galeria dos Arcos com o teto em pinturas e a Capela funda” – denominadas, com maior regularidade a partir de 2004 e até aos dias de hoje, pela terminologia: “Sala 0 – Receção”; “Sala 1 – Sala de Nossa Senhora do Ó” (correspondentes à antiga “Casa de Numismática”); “Sala 2 – Sala da Capela” (anterior “Capela Alta”); “Sala 3 – Sala dos Evangelistas” (resultante da “Galeria dos arcos com o teto em pinturas”). E, por último, a “Sala 16 – Sala da Capela de Delães” (alusiva à “Capela Funda”).

1968

Como poderá comprovar a inscrição visível no solo do pórtico de entrada no complexo exterior do MSML - que associa o nome do Fundador, “Henrique Amorim”, à referência cronológica “1968” - será datável deste ano a devida conclusão daquela que podemos nomear como segunda fase construtiva deste edifício museológico. Por conseguinte, em 1968, o Museu “inaugurou” a sua planimetria final de dezasseis salas, distribuídas por dois andares e preenchidas por mais de mil e setecentas peças (se tivermos em questão somente o espólio de índole religioso). Toda a vastidão expositiva acabaria por continuar a crescer, de forma paulatina, e a “moldar-se” entre 1968 e a própria morte de Henrique Amorim, nove anos mais tarde, em 1977. Embora não exista uma escritura de doação similar à de 1959 e atualizada em virtude desta segunda fase construtiva, todo o património anexado ao MSML desde aí, passou também a fazer parte da tutela da Casa do Povo de Santa Maria de Lamas. Referido como “seu”, em vida, mas sempre ao dispor da fruição cultural da comunidade, todo este acervo foi legado desde 1959, por única e exclusiva vontade de Henrique Amorim – complementada pelo próprio “Testamento pessoal” de 1977 – à instituição fundada por sua iniciativa, dez anos antes, em 1958, apoiada pelo grande defensor do “Corporativismo e das Casas do Povo” do Estado Novo – o seu amigo e conterrâneo lamacense, Henrique Veiga de Macedo (1914-2005).

1977

A morte do seu promotor, Henrique Alves Amorim, ocorrida em Santa Maria de Lamas no dia 20 de fevereiro, demarca o início de um longo e “penoso” período de vinte e sete anos de “semi-adormecimento” – extensível de 1977 a 2004 - no tratamento e conservação deste Museu. Provocando a decadência e a degradação, por patologias diversas, práticas e opções incorretas, de variadas áreas expositivas e quadrantes deste acervo.

De 2004 aos dias de hoje

Recuperado a partir de 2004 através do “Projeto de Reorganização Museográfica do MSML”, nascido de um protocolo celebrado entre a Casa do Povo de Santa Maria de Lamas e o Departamento de Arte e Conservação e Restauro da Universidade Católica Portuguesa (do Porto), o Museu afirma-se como espaço de reflexão, estudo, partilha e interpretação de uma realidade que moldou a história de uma terra. E de um património que acompanhou o gosto e a evolução secular de um país. Da planimetria final de dezasseis salas que constituem a totalidade do perímetro, área arquitetónica e expositiva do MSML, na atualidade, dez espaços e respetivo acervo, após conservação e restauro, restruturação, estudo e organização museológica e museográfica, já se encontram acessíveis à total fruição do público. Restam assim seis áreas expositivas que se encontram em processo interventivo (do ponto de vista estrutural e do seu próprio espólio constituinte).

2018

A 29 de agosto de 2018, através do despacho n.º 8325/2018 do Ministério da Cultura, o Museu de Santa Maria de Lamas foi credenciado e passou a integrar a Rede Portuguesa de Museus.

2019

A 8 de julho, o Museu de Lamas adota uma nova identidade visual que reflete o novo ciclo da sua história, um ano depois de ter integrado a Rede Portuguesa de Museus (RPM). A nova identidade visual incluiu a execução de um novo logótipo, dotado de linhas mais simples, em que a estilização do edifício, construído nos anos 50 do século XX, assume particular destaque. Com esta evolução gráfica, o Museu redefine o seu posicionamento e assume o objetivo de se transformar num centro cultural de referência e multidisciplinar, que alia futuro, tradição e memória.

2022

O Museu de Lamas viu-lhe atribuído, por parte da Associação Portuguesa de Museologia, um Prémio e uma Menção honrosa nos Prémios APOM. Quanto ao Prémio, recebido na categoria de “Intervenção de Conservação e Restauro”, adveio do projeto “Restauro ao vivo no Museu de Lamas” e consequente campanha de apadrinhamento associada. Já no que concerne à menção honrosa, a mesma proveio da categoria “Exposição temporária”, e correspondeu à exposição fotográfica e instalações artísticas imersivas que o Museu acolheu, em coorganização com a Basqueiro – Associação Cultural, no âmbito do BasqueirArt do Basqueiral 2021, do projeto “Living Among What´s left behind”, do fotojornalista Mário Cruz.

2023

O Museu repete a presença e volta a receber, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia, mais um Prémio APOM. Desta vez, o prémio em questão correspondeu à categoria de “Exposição temporária” e proveio, novamente de uma exposição fotográfica e instalações artísticas imersivas que o Museu acolheu e promoveu, em coorganização com a Basqueiro – Associação Cultural, em virtude do segmento do BasqueirArt do Basqueiral 2022, do projeto “A Rota do Mediterrâneo”, à volta do trabalho de vários fotojornalistas internacionais (amplamente premiados), da Agence France Presse - AFP.

2024-2026

A programação do Museu continua a ser multifacetada, partindo da interpretação do acervo permanente até à recuperação para exposições temporárias de alguns setores das suas reservas (como foi o caso da cerâmica e da arte africana até ao momento). Além disso e da dinâmica bem conhecida e diferenciadora que o Museu de Lamas vem apresentando, por exemplo, ao nível do seu Serviço Educativo ou no "Projeto Restauro ao Vivo" e respetiva campanha de apadrinhamento de intervenções, em contexto de visita livre, o nosso espaço museológico está em vias de concluir o processo de renovação, adaptação e modernização integral da sinalética física que pontua a museografia de todas as salas. Mas, mais do que isso, oferece hoje ao público uma experiência imersiva, de acesso gratuito e no próprio smartphone de cada visitante, à aplicação Zoomguide, uma reputada e intuitiva ferramenta de interpretação de coleções e audioguia, com conteúdos traduzidos para mais de dez línguas. Na perspetiva de dotar o Museu de programação que permita afirmar cada vez mais o papel deste espaço na cena cultural local, nacional e até internacional, a par com a continuidade do acolhimento do Basqueiral, suas performances e importantes exposições acerca de temas fraturantes da sociedade contemporânea, o Museu, sobretudo na área singular da antiga "Sala da Cortiça", tem sido palco para parcerias multidisciplinares, residências artísticas, eventos de referência, etc.

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