Colecções

Composto por 16 salas, este espaço que o seu fundador designara como a sua “Domus Áurea arquivos de fragmentos de Arte”, tem na essência destas palavras, todo o carácter de um local e de uma personalidade sensibilizados para a História, para a História da Arte e o desenvolvimento teórico e cientifico do ser Humano. Demonstra de facto um espaço que absorve fragmentos de culturas diversas, expressões artísticas, culturais, económicas, políticas, religiosas e sociais, que marcam o desenvolvimento do homem, da sociedade e do conhecimento e comunicação desde a idade média até à contemporaneidade.

Artistas, regiões, tipologias entre muitas outras áreas foram captadas pelo olhar atento de Henrique Amorim e colocadas neste espaço, enaltecendo claramente o contributo deste espaço para a percepção de grandes momentos da História e Historiografia da Arte e das civilizações nacionais e Internacionais.
Desenvolvem-se com grande destaque ao longo do perímetro expositivo deste espaço Museológico as seguintes colecções:

1. Arte Sacra
Esta colecção surge de forma destacada no seio do espólio do MSML, não só pela dimensão, como também pela qualidade das peças que a incorporam e pela variedade tipológica das peças que a incorporam. Assim, esta colecção apresenta as seguintes sub-colecções:

Imaginária
O MSML possui uma preciosa colecção de cerca de 300 imagens, das mais variadas épocas e estilos, desde as imagens góticas às barrocas, passando pela produção proveniente das oficinas de santeiros até às de produção mais erudita. Estas encontram-se essencialmente expostas no piso superior do Museu.

Talha Dourada
No MSML a colecção de talha tem a particularidade de se assumir enquanto suporte expositivo da colecção de imaginária, mas também da colecção de pintura. A talha surge nas suas mais variadas manifestações: retábulos, nichos, sanefas, plintos, etc. Através dos vários exemplares do MSML podemos contactar com os vários estilos de talha portuguesa.

Pintura
Embora a colecção não apresente uma qualidade erudita, destaca-se pela sua grande variedade temática, atingindo mesmo, por vezes, um declarado carácter popular. Os exemplares de pintura encontram-se normalmente ao nível dos tectos das várias salas ou integrados nas predelas de alguns retábulos.

Mobiliário Litúrgico
Concentrados numa mesma sala, encontramos no MSML uma colecção com cerca de 74 oratórios, cujas maquinetas nos dão a conhecer uma grande variedade de formas e de estilos. Completam esta colecção alguns Sacrários.

2. Medalhística

Assinalando momentos da história social, política e artística Nacional e Internacional, personagens da História e sociedade política e artística Nacional e Internacional, bem como instituições e associações Nacionais e Internacionais;

3. Papel-Moeda

Designação técnica para o que o senso comum conhece como Notas e neste caso específico a colecção exposta representa um simbolismo aos principais destinos e proveniências dos grandes fluxos migratórios nacionais entre o final do séc. XIX e primeira metade do séc. XX;

4. Iconografia do Fundador

Com uma colecção de retratos representativos da figura de Henrique Alves Amorim, fundador do Museu em idade adulta avançada. Um conjunto de retratos em pose e retratos de trabalho, assinalando cada um deles o financiamento e ordem de construção de infra-estruturas e espaços para a freguesia de Santa Maria de Lamas por parte deste Benemérito. Todos estes retratos são da autoria de um pintor de seu nome António Barbosa, pintor privado de Henrique Amorim, natural de Braga);

5. Escultura de finais do séc. XIX e inicio do séc. XX

Com uma colecção de estudos executados em gesso, como ensaio de formas e conceitos, executados por escultores nacionais e um caso internacional entre finais do séc. XIX e inicio do séc. XX. Entre o panorama nacional destacam-se nesta colecção, Henrique Moreira, Barata Feyo, Sousa Caldas, Raul Xavier, e no caso internacional existem nesta colecção duas obras de um discípulo de Rodin, o Francês Carrier-Belleuse. Estes estudos tinham como propósito final a execução em pedra, ou outro material, de esculturas de carácter público, inseridas em praças ou monumentos nacionais. Existe ainda outra vertente deste conjunto expositivo centrada em elementos de retratística na sua maioria bustos de personalidades não identificados, embora se constate a presença de retratos de personagens da História Social, Política e Artística Nacional e Internacional;

6. Etnografia

Numa alusão aos espaços museológicos típicos do período do Estado Novo, onde existiam objectos simbolizando as principais actividades laborais dos Portugueses na primeira metade do séc. XX, ou seja, Agricultura, Actividade Doméstica, Transportes marítimos, fluviais e pescas. Neste perímetro expositivo evidencia-se ao observador um conjunto de objectos que sublinham os próprios costumes e desenvolvimento histórico da População Portuguesa, mais especificamente através de miniaturas de barcos típicos de transporte e pesca, objectos agrícolas como o caso das cangas e ferros de engomar cujo combustível seria o carvão;

7. Ciências Naturais

Concebido pelo seu promotor segundo um conceito iniciado no séc. XV e desenvolvido pelos seguintes até à contemporaneidade, ou seja, através da definição de um Museu como um Gabinete de Curiosidades, onde as obras de arte se conjugam com elementos que permitem uma percepção do desenvolvimento humano e do próprio planeta. Como tal, esta colecção ligada às Ciências Naturais é um grande exemplo da aplicação deste conceito no M.S.M.L. pois, nos ditos Gabinetes de Curiosidades, áreas temáticas deste género pontuados por colecções de objectos ligados às Ciências Naturais tinham a designação de Naturalia. Neste museu as Ciências Naturais são representadas por uma vasta colecção de minerais; fosseis de corais; moluscos; conchas e búzios essencialmente, Tartarugas, carapaças de Tartarugas terrestres e marítimas e a presença de uma colecção de fosseis vegetais e animais com destaque para a presença de Trilobites considerados fósseis de Idade);

8. Elementos ligados à Industria de Transformação de da Cortiça

Neste espaço Henrique Alves Amorim Industrial do ramo da Industria de transformação da cortiça com bastante sucesso, executou uma espécie de homenagem face à actividade económica que lhe deu todo o poder e hegemonia para a aquisição de elementos para esta sua colecção e o financiamento total deste espaço desde a construção à sua manutenção. Fruto deste desejo, existe no espaço do M.S.M.L. todo um pavilhão ligado à cortiça e à indústria de transformação da cortiça. Numa primeira perspectiva encontra-se nesta sala de dimensões consideráveis uma alusão directa à história da industria de transformação da cortiça propriamente dita, com uma colecção de maquinaria primitiva da primeira metade do séc. XX, remontante aos primeiros processos de desenvolvimento desta actividade industrial. Ocupando uma área extensiva superior existe ainda nesta sala uma associação entre a matéria prima, ou seja a Cortiça e a arte, duas grandes “paixões” de Henrique Amorim. Como tal, a totalidade do espaço encontra-se pontuada por diversos conjuntos escultóricos, ou peças individuais executados em cortiça remontando para representação de monumentos e momentos da História Nacional, como a Torre de Belém ou uma Caravela alusiva aos Descobrimentos, bem como para aspectos típicos de espaços domésticos e actividades tipicamente ligadas à história da população Portuguesa na primeira metade do séc. XX, como o caso da representação de um Azeiteiro, ou da representação de uma típica ramada num simbolismo à cobertura dos espaços naturais das casas Portuguesas na primeira metade do séc. XX).

 

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